O Governo Central — que reúne o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central — registrou um déficit primário de R$ 40,6 bilhões em maio de 2025. Apesar do rombo, o valor ficou bem abaixo da estimativa do mercado, que previa um déficit de R$ 62,2 bilhões, segundo o boletim Prisma Fiscal, do Ministério da Fazenda.
O resultado representa uma queda real de 36,2% em relação ao mesmo mês de 2024, quando o déficit atingiu R$ 60,4 bilhões. Mesmo assim, ainda é o quarto pior resultado para o mês de maio desde o início da série histórica, ficando atrás apenas de 2024, 2023 e 2020.
De acordo com o Tesouro, a redução do déficit foi impulsionada pelo aumento das receitas líquidas, que cresceram 10,2% em valores nominais (ou 4,7% em termos reais), e pela queda de 2,7% nas despesas totais. Gastos com servidores subiram 10,4% acima da inflação, reflexo do reajuste salarial. Por outro lado, as despesas com a Previdência Social caíram 3,4%, e o Bolsa Família teve queda de R$ 1,1 bilhão, devido à revisão de cadastros.
Além disso, os investimentos públicos em obras e infraestrutura somaram R$ 22,3 bilhões entre janeiro e maio, recuando 16,9% frente ao mesmo período de 2024.
No entanto, o cenário para os próximos meses deve ser de maior pressão sobre as contas públicas. Em julho, o governo prevê o pagamento de R$ 70 bilhões em precatórios, o que pode afetar o desempenho fiscal do segundo semestre.
Para 2025, o Orçamento projeta um déficit primário de R$ 97 bilhões. Considerando apenas os parâmetros do novo arcabouço fiscal, o déficit estimado é de R$ 31 bilhões, que representa o limite máximo permitido dentro da meta fiscal ajustada pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
