(para Camila Casella, a quem devo o incentivo de voltar a escrita
— Camila, já sabe, te devo a primeira cópia do meu próximo livro!).
Vejo o mundo em pixels, almas em liquidação,
Homens sem espinha dorsal, vendendo ilusão.
Numa terra de hologramas, sou o que ainda existe,
Enquanto mentem em discursos, eu exibo as cicatrizes.
Sou imigrante do tempo em que o sim, era juramento,
Herdeiro de um século que arde em pensamentos.
Homens de perfil editado, coração em mutação,
Mulheres-rainhas mendigando migalhas de atenção.
Eu sou a carta manuscrita em meio a nuvens de emojis,
A lição que não se aprende em tutoriais de hoje.
Não sou herói de capa, só um homem de outros dias,
Onde honra não era hashtag, mas fogo que ardia.
Inquilino da ética, inquebrável, ancestral,
Enquanto falsos profetas lucram com o mal.
Eles têm diploma de phishing, eu, cicatriz no rosto
Homem que é homem não recua do seu posto.
Chamem-me antiquado, eu me chamo raiz,
Onde o sim, era lei, e o não, não tinha disfarce feliz.
Guardo lealdade no peito, sem delivery ou apps,
Caráter não validade, nem se troca por cash.
Fui forjado em tempos que selavam pactos com facões,
Não em bytes fugidios ou likes de corações.
Minha armadura é rude: sem trend, sem hype — tem aço,
Enquanto o mundo gira, e cria um monte de palhaços.
Ergo minha bandeira no deserto pós-moderno,
Enquanto marionetes brilham sob holofotes de inverno.
Meu epitáfio? Será verso, não um perfil verificado:
“Aqui jaz quem viveu como ensinou — e nunca foi comprado.”
E quando o futuro perguntar o que o passado legou,
Direi: “Homem que é homem planta honra — e colhe o que florou.”
Pois, enquanto houver no peito orgulho do que é verdadeiro,
A chama do século morto viverá neste desterro.
Por Nahuel Augusto Rosano
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