Vejo o mundo em pixels, almas em liquidação,
Homens sem espinha dorsal, vendendo ilusĂŁo.
Numa terra de hologramas, sou o que ainda existe,
Enquanto mentem em discursos, exibo minhas cicatrizes.
Sou imigrante de um tempo em que o sim era juramento,
Herdeiro de um século que ainda arde em pensamentos.
Perfis editados, coraçÔes em constante mutação,
Mulheres-rainhas mendigando migalhas de atenção.
Sou a carta manuscrita na tempestade de emojis,
A lição que não se aprende nos tutoriais de hoje.
NĂŁo sou herĂłi de capa, sĂł homem de outros dias,
Onde a honra nĂŁo era hashtag, mas fogo que ardia.
Inquilino da ética, inquebråvel e ancestral,
Enquanto falsos profetas lucram com o mal.
Eles tĂȘm diploma em phishing, eu trago a marca no rosto,
Homem que Ă© homem nĂŁo recua do seu posto.
Chamem-me antiquado, eu me afirmo raiz:
Onde o sim era lei, o nĂŁo nĂŁo trazia disfarce feliz.
Guardo lealdade no peito, sem delivery ou apps,
CarĂĄter nĂŁo vence a validade nem se troca por cash.
Fui forjado em tempos de pactos e apertos de mĂŁo,
Não em bytes fugidios ou curtidas de coração.
Minha armadura é rude, sem trend ou hype, tem aço,
Enquanto a engrenagem do mundo molda mais um palhaço.
Ergo minha bandeira neste deserto pĂłs-moderno,
Onde marionetes brilham sob holofotes de inverno.
Meu epitĂĄfio serĂĄ verso, nĂŁo perfil verificado:
"Aqui jaz quem viveu o que pregou e nunca foi comprado."
E quando o futuro perguntar o que o passado legou,
Direi: "Quem tem honra planta a semente e colhe o que vingou."
Pois enquanto houver no peito o orgulho do que Ă© verdadeiro,
A chama do século morto viverå neste desterro.
— Por Nahuel Augusto Rosano