Se o governo Lula já não estava atravessando uma fase fácil nas relações internacionais, agora a vitória de Donald Trump nas eleições dos EUA só piora o cenário. Isso porque o governo brasileiro, ao demonstrar apoio público a Kamala Harris e aos Democratas, acabou se colocando em uma situação delicada. Não era um apoio necessário, e muito menos uma boa estratégia diplomática.
O cientista político Ricardo Ribeiro aponta que essa postura criou um “embaraço diplomático” para o Brasil, especialmente porque, apesar de ter cumprimentado Trump pela vitória e reafirmado o respeito à democracia, a aproximação do governo Lula com o Partido Democrata traz uma série de complicações. Esse tipo de postura pública pode gerar desconforto e até um distanciamento das relações diplomáticas com os Estados Unidos.
Basicamente, o governo Lula apostou errado ao se envolver tão claramente com a política interna dos EUA. Agora, ao tentar manter a normalidade nas relações com Trump, as expectativas de boas conversas parecem bem baixas. No melhor dos cenários, as interações entre os dois governos serão protocolares, ou seja, frias e sem muito avanço. No pior cenário, podemos ter um embate diplomático, algo que o Brasil definitivamente não precisa neste momento. A estratégia de Lula, em vez de focar na neutralidade ou em fortalecer laços com os EUA, só piorou as coisas.
Além disso, a vitória de Trump traz consequências diretas para a política interna do Brasil. Mesmo sem um efeito imediato sobre a eleição presidencial de 2026, o sucesso do ex-presidente republicano reforça a força da direita e da agenda conservadora, o que, inevitavelmente, cria um ambiente de mais confiança para a oposição e apreensão para o governo. Ou seja, o clima político no Brasil tende a ficar mais tenso, e Lula acaba alimentando um cenário mais favorável à direita, enquanto o campo progressista sente o impacto desse clima de apreensão.
A relação com a família Bolsonaro também pode gerar complicações, já que os Bolsonaro sempre tiveram uma aproximação com Trump. A partir de 2025, isso pode resultar em mais “ruídos” nas relações entre Brasília e Washington, com possíveis conflitos que o governo brasileiro preferiria evitar. Sem falar na figura de Elon Musk, que tem uma participação significativa na campanha republicana e, por sua vez, é visto com desconfiança pelo governo Lula.
Na prática, tudo isso vai contribuir para o Brasil ficar ainda mais isolado no cenário internacional. A expectativa de Ribeiro é de que Trump enfraqueça ainda mais as instituições multilaterais – como a ONU e a OMC –, que eram importantes para o governo Lula, e que sua política ambiental também afete negativamente as bandeiras defendidas pelo Brasil, como o combate às mudanças climáticas.
O que fica claro é que, com Trump de volta à Casa Branca, o Brasil, sob Lula, provavelmente vai perder ainda mais influência internacional. E isso é uma péssima notícia para o país. Lula tinha suas razões para torcer por Kamala Harris e o Partido Democrata, mas, agora, os erros de estratégia estão mais visíveis do que nunca.
